Como seria a nossa vida se, antes de qualquer decisão, pudéssemos saber quais os resultados que teríamos após a nossa eleição? E se pudéssemos experimentar e viver cada uma das alternativas, antes mesmo de elas acontecerem? Ou ainda melhor, e se tivéssemos a oportunidade de voltar no tempo após uma escolha errada? Acredito que a vida de muitas pessoas seria diferente, e inclusive me atrevo a dizer, um tanto perfeita. Quem não gostaria de poder sempre tomar os caminhos certos da vida? Viver somente experiências positivas, e ser feliz o tempo inteiro? Com certeza, eu me incluiria nesse grupo.
Mas, e quais seriam as consequências que essa "pequena vantagem" traria para as nossas vidas? Será que seríamos pessoas felizes ou apenas seres frustrados e estressados, sempre em busca de respostas para nossas indecisões? É esse, dentre muitos outros assuntos, que trata o filme Sr. Ninguém.
Imaginem um mundo perfeito. Um mundo onde as pessoas não envelhecem, não precisam mais pensar em reprodução, e onde tudo que se faz está relacionado ao prazer e a felicidade. Não existe mais a violência, e não há mais a preocupação. Pessoas comuns vivendo uma vida normal. Mas, e se alguém dentre essas pessoas não for assim? E se essa pessoa for de outra época? De uma época onde o sentimento era, acima de tudo, o valor que mais se prezava. Que impacto essa pessoa causaria na vida dos demais? Ela seria amada? Odiada? Invejada? Ou ela, aos poucos, iria sumindo e se apagando diante de tamanho choque cultural?
Sr. Ninguém é um filme que traz como trama principal a vida de Nemo Nobody (ligando a tecla SAP: Nemo Ninguém), um senhor de 120 anos, o último mortal vivendo dentre uma nova geração de pessoas imortais. Como um legítimo ser humano, ele não é perfeito. Entre falhas de memória e mistura de informações sobre a sua vida, Nemo vive seus últimos dias sendo astro principal de um programa de televisão. Apesar de toda essa confusão, ele é tido como um "patrimônio histórico" e torna-se motivo de interesse público. Um jornalista, ao investigar a sua vida, acaba trazendo à tona a verdade que está por trás das suas confusas e estranhas lembranças.
A indecisão é, com certeza, uma grande causa de estresse na vida do ser humano. Quem não lembra de ter passado noites em claro antes de ter de tomar uma decisão importante na vida? Acabo ou não meu namoro? Aceito ou não aquela oferta de emprego? Viajo ou faço aquele curso? Vivemos, diariamente, cercados por situações que requerem soluções dicotômicas. E essas soluções são, na sua maioria, simbólicas ou meramente importantes. De qualquer forma, todas as decisões ajudam na formação do nosso caráter. É por termos que abdicar de algo que criamos a capacidade de enfrentar a perda. É através das más escolhas que conseguimos lidar com a derrota, fundando assim um mecanismo importantíssimo para as nossas vidas: a superação.
Sendo assim, as incertezas da vida são essenciais para a nossa evolução. Claro que ter uma vida perfeita e sem sofrimentos é uma ideia tentadora; mas ao mesmo tempo, nossas vidas seriam sintéticas e artificiais. As dificuldades, as derrotas, as conquistas e as aprendizagens fazem parte da nossa existência. Escolher previamente o melhor caminho a se seguir é, sem dúvida, algo interessante; mas a certeza das decisões apagaria uma parte importante da nossa caminhada: a possibilidade de cair, levantar e aprender com os tropeços da vida.
Feliz Natal e um maravilhoso 2011 à todos.










