domingo, 26 de dezembro de 2010

AS ESCOLHAS DE SOFIA

Como seria a nossa vida se, antes de qualquer decisão, pudéssemos saber quais os resultados que teríamos após a nossa eleição? E se pudéssemos experimentar e viver cada uma das alternativas, antes mesmo de elas acontecerem? Ou ainda melhor, e se tivéssemos a oportunidade de voltar no tempo após uma escolha errada? Acredito que a vida de muitas pessoas seria diferente, e inclusive me atrevo a dizer, um tanto perfeita. Quem não gostaria de poder sempre tomar os caminhos certos da vida? Viver somente experiências positivas, e ser feliz o tempo inteiro? Com certeza, eu me incluiria nesse grupo.

Mas, e quais seriam as consequências que essa "pequena vantagem" traria para as nossas vidas? Será que seríamos pessoas felizes ou apenas seres frustrados e estressados, sempre em busca de respostas para nossas indecisões? É esse, dentre muitos outros assuntos, que trata o filme Sr. Ninguém.


Imaginem um mundo perfeito. Um mundo onde as pessoas não envelhecem, não precisam mais pensar em reprodução, e onde tudo que se faz está relacionado ao prazer e a felicidade. Não existe mais a violência, e não há mais a preocupação. Pessoas comuns vivendo uma vida normal. Mas, e se alguém dentre essas pessoas não for assim? E se essa pessoa for de outra época? De uma época onde o sentimento era, acima de tudo, o valor que mais se prezava. Que impacto essa pessoa causaria na vida dos demais? Ela seria amada? Odiada? Invejada? Ou ela, aos poucos, iria sumindo e se apagando diante de tamanho choque cultural?

Sr. Ninguém é um filme que traz como trama principal a vida de Nemo Nobody (ligando a tecla SAP: Nemo Ninguém), um senhor de 120 anos, o último mortal vivendo dentre uma nova geração de pessoas imortais. Como um legítimo ser humano, ele não é perfeito. Entre falhas de memória e mistura de informações sobre a sua vida, Nemo vive seus últimos dias sendo astro principal de um programa de televisão. Apesar de toda essa confusão, ele é tido como um "patrimônio histórico" e torna-se motivo de interesse público. Um jornalista, ao investigar a sua vida, acaba trazendo à tona a verdade que está por trás das suas confusas e estranhas lembranças.


A indecisão é, com certeza, uma grande causa de estresse na vida do ser humano. Quem não lembra de ter passado noites em claro antes de ter de tomar uma decisão importante na vida? Acabo ou não meu namoro? Aceito ou não aquela oferta de emprego? Viajo ou faço aquele curso? Vivemos, diariamente, cercados por situações que requerem soluções dicotômicas. E essas soluções são, na sua maioria, simbólicas ou meramente importantes. De qualquer forma, todas as decisões ajudam na formação do nosso caráter. É por termos que abdicar de algo que criamos a capacidade de enfrentar a perda. É através das más escolhas que conseguimos lidar com a derrota, fundando assim um mecanismo importantíssimo para as nossas vidas: a superação.


Sendo assim, as incertezas da vida são essenciais para a nossa evolução. Claro que ter uma vida perfeita e sem sofrimentos é uma ideia tentadora; mas ao mesmo tempo, nossas vidas seriam sintéticas e artificiais. As dificuldades, as derrotas, as conquistas e as aprendizagens fazem parte da nossa existência. Escolher previamente o melhor caminho a se seguir é, sem dúvida, algo interessante; mas a certeza das decisões apagaria uma parte importante da nossa caminhada: a possibilidade de cair, levantar e aprender com os tropeços da vida.

Feliz Natal e um maravilhoso 2011 à todos.

domingo, 17 de outubro de 2010

A GRAVIDADE DA INSANIDADE

Hello people, I'm back (Olá pessoas, estou de volta).

Não vou começar uma postagem falando, mais uma vez, que eu desapareci. Acho que todo mundo já conseguiu captar que, quando eu não posto aqui, é porque algo realmente importante ocupou minha vida "não-virtual". Sendo assim, me sinto livre para começar o texto de hoje.

Acabei de assistir ao filme "Ilha do Medo", e devo admitir que fiquei um pouco decepcionada. Não tão decepcionada ao ponto de detestar o filme (caso contrário, eu não estaria aqui escrevendo sobre ele), mas creio que me fizeram uma propaganda enganosa da história e esperei mais do que recebi em troca. Enfim, gostos à parte, consegui captar alguns aspectos legais para discutirmos.

Primeiramente, digo que eu gostei do fato de o filme tratar de assuntos psicológicos e de transtornos mentais. Apesar de ser meio suspeita para falar disso, esse foi o único aspecto que realmente me chamou a atenção. Não irei estragar a história para quem não viu, mas digo que o filme inteiro tu fica pensando "meo deos, o que tá acontecendo, ele tá louco ou eu que tô pirando vendo isso?". Ok, o filme não é tão louco quanto "A Origem", mas juro que chega em um ponto do filme que começamos a pensar que ficaremos loucos com tanta informação pirada.

"O que aconteceu com o paciente 67?"

Uma coisa que eu gosto de fazer é prestar a atenção em frases interessantes nos filmes, e analisá-las de um modo mais profundo. Nesse filme, uma frase dita pelo Leo DiCaprio me chamou muito  atenção. Falando a cerca da loucura, ele disse "O que é pior, viver como um monstro ou morrer como um homem bom?". Depois de ouvir a frase, comecei a pensar na sua indagação.

Não podemos discordar que viver como um monstro é horrível. Estudando isso diariamente, eu consigo visualizar muito bem como é viver 24h na loucura. É uma vida sofrida, uma vida caótica, uma vida sem futuro. Mas pior que se viver na insanidade é saber que se é louco, e perceber que nada que se faça irá melhorar isso. Portanto, viver como um monstro é sim uma grande bosta.

Entretanto, morrer como um homem bom também é uma desvantagem. Eu, assim como Maslow, tenho vontade de mudar o mundo para melhor. Tento fazer minha parte, mesmo que as vezes de forma diminuta ou tendo pequenas recaídas (afinal, sou uma humana errante). E é MUITO frustrante quando se vê que as coisas estão muito loucas e sem sentido, e que a vida é uma viagem insana ao "País das Maravilhas". Portanto, passar a vida sendo bom e almejando a melhora das pessoas, e depois morrer sem alcançar o seu objetivo, é uma grandessísima porcaria. Mas o lado bom disso é que, pelo menos, morre-se com a consciência limpa e com um pouco de dignidade.


Queridos leitores, eu não quero assustar vocês com essa notícia, mas uma coisa todos precisam saber: é muito fácil ficar insano. Qualquer acontecimento, qualquer pequeno detalhe na vida pode ser desencadeador da loucura. É claro que muitos fatores também estão associados, como a genética (pré-disposição) e as vivências pessoais. Mas, enfim, quando se tem tudo isso, uma pequena gota é o suficiente para transbordar o copo. E eu acho que uma das grandes sacadas do filme foi essa de mostrar a fragilidade do ser humano e como nós somos friamente conduzidos ao nosso destino fatal.

Hoje em dia, o ser humano leva uma vida muito corrida e preocupada. Estamos sempre em busca de "algo mais" (e se perguntarmos para as pessoas o que elas buscam, mais de 90% não saberá responder), e isso acaba nos deixando sempre no limite da vida. Estamos sempre estressados, e as exigências de que tudo seja "para ontem" nos levam a uma caótica existência. Desse modo, a loucura vira um fator muito presente no nosso dia-a-dia. Cada vez mais as pessoas estão com medo, e cada vez mais as pessoas buscam ajuda de psicólogos para conseguirem lidar com a vida.

E isso é triste? Na minha opinião, a busca por ajuda e compreensão é um movimento saudável do ser humano - até porque a pessoa não precisa ter uma patologia para procurar terapia. Todavia, cada vez mais aumenta a busca de terapia devido a uma ansiedade ou a um transtorno de humor. E isso, pessoas queridas, é triste sim, pois mostra como o ser humano atual carece de saúde mental. Graças a Deus, existem os psicólogos e psiquiatras para ajudar as pessoas perdidas e com problemas na vida. Não querendo me gabar, mas acho que somos pessoas maravilhosas e extremamente altruístas.

Como diria o sábio Coringa, do filme Batman, "A loucura é como a gravidade: só precisa de um empurrão".

terça-feira, 24 de agosto de 2010

FILOSOFIAS DE UM SONHO

Olá meus queridos! Sim eu estou viva!

Garanto que com o meu "desaparecimento", muita gente pensou se algo havia acontecido comigo. E eu informo que sim, algo me aconteceu. Mas calma "pessoar", não foi nada grave. Só que eu estou com a minha vida voltada 99% para a faculdade (os outros 1% eu cuido de mim). Além do recomeço das aulas, eu estou trabalhando em um "pseudo-estágio" (estágio que me permite cursar uma cadeira de prática em psicopatologia) e eu ainda estou fazendo 30 créditos nesse semestre (aqueles familiarizados com a vida acadêmica sabem que isso é bastante).

Enfim, mas chega de falar de mim e vamos logo ao propósito desse post: FILME! Como ainda estava mais relax nessas férias, consegui ir umas boas vezes no cinema (e vi alguns filmes em casa também). Outros eu baixei da internet e acabei não vendo, mas ainda vou arrumar um tempo para ficar em dia com os filmes. Tenho uma lista enorme aqui comigo, e pretendo ver todos eles! Por isso, preparem-se pois muitos posts virão...

Continuando, pois se deixar eu me empolgo e fico falando das minhas ideias... O post que criarei na noite de hoje é sobre o tão comentado "A Origem", filme que possui uma das histórias mais "loucas (com sentido)" que eu já vi. Sim, esse filme consegue ser mais doido que o Matrix (que eu AMO), mas assim como ele, possui sentido e não é baseado em viagens sem nexo.

Basicamente, o que mais prende a atenção das pessoas para com o filme não é nem a história em si, mas sim o modo como ela foi conduzida. Começa que o filme trata do subconsciente humano, tema que por si só já é complicado e muito misterioso. E como se já não bastasse, ele fala também sobre sonhos e sobre como eles funcionam na nossa vida (mais um tema bem complicadinho...). Vocês devem estar pensando: "OMG, então esse filme é foda de mais!". Pois eu digo que sim, ele é MUITO foda.

Subconsciente em ruína (alusão ao ID da Psicanálise ou mera coincidência?)

Mais uma vez eu irei repetir: eu não gosto de ser estraga prazeres. Por esse motivo, não irei resumir o filme e muito menos irei dizer a moral da história. O que eu posso comentar com vocês, e notem que eu irei comentar pois essa informação está sendo veiculada nos trailers, é que os personagens principais entram nos sonhos das pessoas para modificar (ou manipular) uma informação. E o grande "que" do filme é que eles resolvem fazer um trabalho quase impossível, que é implantar uma ideia no subconsciente de uma pessoa. Já explico porque é "quase impossível". O que importa agora é vocês saberem que eles trabalham com os sonhos, mexendo no subconsciente e modificando informações.

Pois então, a maioria de vocês sabe que eu estou cursando Psicologia (até porque, aos desatentos de plantão, essa informação consta na minha biografia logo ao lado do post). Ou seja, vocês devem imaginar que eu A-M-O estudar a mente humana, compreender o porque de sermos como somos, e filosofar teoricamente em cima desses dados. Vocês devem ter notado uma semelhança entre o que eu gosto e o assunto que o filme aborda. Enfim, vamos aos fatos e aos questionamentos.

Como vocês devem ter imaginado, meus caros leitores, o entendimento da mente humana não é um tema fácil e muito menos acessível a qualquer um. O que nos difere dos estudos lógicos é exatamente essa falta de padrão; não existem equações numéricas para resolver os questionamentos humanos, e devido a nossa linda complexidade, somos seres únicos em um vasto e enorme universo. Sim, existem teorias psicológicas, teorias essas que dão a base para a condução de um tratamento psíquico. Todavia, elas fazem exatamente isso, conduzem. Desse modo, elas funcionam como placas em uma estrada: elas indicam um caminho a seguir, mas nós é que escolhemos se efetivamente iremos por ele.

Giro eterno.

O que mais me chamou a atenção no filme foi a sua ideia central. Achei fascinante o modo como foi trabalhada a questão dos sonhos, bem como a condução do tema "implantar uma sugestão no subconsciente". No desenrolar da história, eles mencionam que não existe um modo seguro de se implantar uma ideia na mente de uma pessoa, pois no momento em que se sugere a ideia, a única coisa que a pessoa vai conseguir pensar vai ser nesse assunto (e isso irá acometê-la, mais tarde, a desconfiar da informação e a pensar somente na pessoa que a sugeriu). E esse pensamento me remeteu a um questionamento: seria o poder da palavra (sugestão) tão forte a ponto de nos fazer seguir um rumo diferente das nossas crenças pregressas?

Sei que essa pergunta pode ser banal para alguns dos meus leitores, mas se vocês pararem um pouco para pensar na vida de vocês, talvez vejam que não é tudo assim tão simples. Segundo a Psicanálise (e também a algumas outras vertentes da Psicologia), somos fruto das nossas vivências primordiais. O modo como idealizamos o mundo, como ele nos foi mostrado, e as experiências que tivemos, acabam por nos conduzir a um tipo de pensamento e comportamento.

Eu, por experiência própria, acredito fielmente nessa teoria. Acredito que as nossas vivências nos modelam, e que acabamos sendo fruto delas. Mas ao mesmo tempo, ao pensar nessa possibilidade, sinto como se ela funcionasse um pouco como uma "camisa de força". Se pensarmos bem a fundo, então nossas vidas não possuem muito sentido. Vivemos para reproduzir algo que nos foi ensinado, algo que está ali gravado e que não podemos mexer (sem uma análise profunda). Notem, queridos, que eu não estou dizendo que isso está errado ou algo do gênero. Só estou dizendo que eu me sinto presa ao fato de "viver no automático" (reproduzindo crenças interiores minhas).

Mas, enfim, como aqui o negócio não funciona por monólogo, quero saber a opinião de vocês. O que constitui a mente humana, porque somos como somos, e o que vocês acham de subconsciente e sonhos.

Deixe sua mensagem após o sinal...

[beeep]

quarta-feira, 7 de julho de 2010

AMOR SEM ESCALAS (E COM FINAL ESTILO 11/09)

Olá meus belos e fiéis(?) leitores.

Sim, para aqueles que se perguntam, eu estou realmente de volta. Sei que dessa vez a demora foi imperdoável, mas eu carinhosamente peço a sua compreensão. Afinal, estou na faculdade, e fazendo um curso que além de me exigir intelectualmente, também toma quase que todo meu tempo. Vou ver se agora nas férias aproveito para ver muitos filmes e escrever muito por aqui!

Enfim, vamos falar do que realmente interessa: FILME! Essa semana vi um filme que já foi um pouco rodado na mídia, talvez por ele ter sido lançado ano passado e ter concorrido ao Oscar. Se vocês, assim como eu, se interessam por toda a "baboseira" que vêm no pacote do Oscar (pré-show, cerimônia e festinha dos vencedores), devem ter ao menos ouvido falar do filme que irei comentar por aqui. Todavia, aos leigos de plantão, explicarei em detalhes a história e todo o resto.

O filme que assisti nessa semana foi "Amor Sem Escalas", uma comédia-dramática estrelada pelo tiozão George Clooney. Resumindo a história na velocidade 5, o filme gira em torno de Ryan Bingham (Clooney), um homem de negócios que passa praticamente 330 dias do ano viajando de avião. Ele trabalha em uma empresa que é especializada em despedir pessoas, quando os chefes das mesmas não têm coragem para tal ato ou não querem se incomodar com os seus (ex)empregados. Como vocês já devem ter imaginado, o tiozão não tem vida pessoal e nem tem família. E ele, inclusive, não faz questão de ter  (qualquer semelhança com George Clooney é mera coincidência... ou não?). Obviamente, um dia ele conhece uma mulher e começa a gostar dela. Apartir desse ponto, a vida dele passa a tomar um rumo diferente. Durante as suas viagens, que agora são acompanhadas por uma jovem e ingênua empregada da sua empresa, ele passa a encontrar essa mulher "pelo caminho".

Ok, é nessa parte que eu começo a revelar a história. Por isso, já vou avisando: se alguém ainda quiser ver o filme sem saber dos acontecimentos importantes, esse é o momento de parar de ler meu post. Mas, depois de assistir, não esqueçam de voltar e comentar aqui, hehe.

"Olha o avião..."

Então, se você continuou a ler, significa duas coisas: ou já assistiu ao filme ou simplesmente acha que eu escrevo tão bem que nem vai se dar ao trabalho de ver, e vai continuar lendo meu blog (super modesta). Seja qual for o motivo, vamos continuar os trabalhos.

Bem, depois de toda essa mudança positiva na vida do Clooney, e de todos os ganhos que ele estava tendo, é claro que algo tinha que dar errado. Porque, afinal, alguns filmes retratam as coisas como elas realmente são, sem finais à la contos de fada (ou seja, sem "e viveram felizes para sempre"). [Rewind] O coitado do tiozão, então, descobre que a mulher que ele tanto gostava, e por quem ele estava disposto a mudar de vida, na verdade tinha filhos e marido. Como se já não bastasse, ela ainda via o "relacionamento" deles como uma fuga da rotina, como uma maneira de tirar uma folga de toda a monotonia que era a sua vida. E no final, é claro, o Clooney ficou do mesmo jeito que ele estava antes: vivendo em um avião, só que agora com uma visão diferente da vida e com o coração partido.

Leitores, ah meus leitores queridos, vocês sabem o poder que um pé na bunda tem. Ele é capaz de acabar com as nossa felicidade, é capaz de nos fazer ficar insanos atrás de um "substituto", ou pior, é capaz de acabar de vez com a nossa vontade de acreditar que o amor realmente vale a pena. O pé na bunda, assim como outros acontecimentos, é um fato essencial para que o ser humano consiga evoluir através da aprendizagem. Pois, afinal, abrir o coração para alguém signinifca se expor ao perigo de se machucar. Ou seja, o pé na bunda nos faz pensar muito bem antes de investir afetivamente em uma nova pessoa.

Sabe, eu ando um pouco descrente com o amor. Talvez por isso, esse filme tenha vindo a calhar nesse momento específico da minha vida. Depois de ver ele, comecei a pensar sobre os relacionamentos. Eu tenho orgulho de muitos feitos que a minha geração proporcionou (ok, sei que nem se comparam com gerações anteriores, mas também fizemos algumas coisas úteis). Mas, se tem algo que eu acho ridículo, é os relacionamentos dos dias de hoje. Fúteis, frívolos e inconstantes.

Existe um escritor, mas especificamente Zygmunt Bauman, que determina os relacionamentos de hoje como "amores líquidos". Esse seria um amor mais frágil e frouxo, pois sendo líquido, é mais propício a se esvair e ter um fim menos significativo. Ele diz que os amores anteriores eram mais fortes e mais resistentes, e por isso se tornavam verdadeiros e duradouros. Em seu livro, ele relata muito bem como a mente das pessoas funciona no século XXI.

Hoje em dia, estamos cercados pela informação. Todos os dias, vemos anúncios de novos aparelhos de celular, de novos carros, de novas tecnologias. Tudo muda em uma velocidade assustadoramente rápida. E infelizmente, o que fica gravado na nossa mente é exatamente esse sentimento de que tudo pode ser trocado em um piscar de olhos. Desse modo, como bons "copiadores" que somos, o que nos resta é usar essa informação em todos os campos da nossa vida. Na nossa família, nas nossas amizades, nos nossos amores. Trocamos a tudo e a todos, sem dó nem piedade.

É realmente uma pena que após séculos de evolução intelectual, o ser humano ainda continue uma besta moralmente. Tenho certeza que se as duas evoluções tivessem andado juntas, o mundo seria hoje um lugar maravilhoso para se viver.

Enfim, como diriam os franceses, c'est la vie.

domingo, 23 de maio de 2010

CAOS SOCIAL

Olá leitores!

Sim, dessa vez demorei muito para postar novidades, mas foi por uma boa causa. Duas, na verdade. A primeira causa foi porque eu estava estudando para provas e cheia de trabalhos (ainda estou cheia de trabalhos!), e não tive tempo de ver filmes e/ou entrar na internet. A segunda causa foi porque eu não tinha nada de interessante para falar, e não quis entrar aqui e postar assuntos nada a ver para vocês. Respeito muito meus leitores, mesmo que sejam poucos. Mas, como sempre digo, melhor poucos e selecionados do que muitos que não trazem nenhum comentário legal.

O post dessa semana vai ser curto e grosso (ui!), porque na verdade vou falar de um filme que é ligeiramente antigo, e que talvez algumas pessoas aqui já o tenham visto. Resolvi "tirar do baú" o filme pois gravei ele para mim, e resolvi re-assistir. Para tornar esse post mais divertido, vou fazer um joguinho de adivinhar o nome do filme! Ai vão as dicas: é um filme alemão de 2004, que trata de política, de jovens revolucionários e de ideais de igualdade para todos (meio comunista, mas o filme em si é muito interessante). Alguém já sabe a resposta? Garanto que a maioria não deve nem fazer ideia do que eu estou falando... Ainda mais que o filme é mais alternativo e cult. Enfim, vou botar uma dica ai em baixo.


E ai, já sabem o filme ou não fazem nem ideia do que eu estou falando? Se a sua opção é a segunda, tudo bem, sem problemas, eu explico tudo em detalhes, queridos leitores. Mas, para quem acertou, fico muito feliz! Considere-se um entendedor de filmes, e imagine-se recebendo um abraço de "companheiro cinéfilo" meu, hehehe! Enfim, continuando... Esse filme se chama "The Edukators" ("Os Educadores", em um bom brazuca), e a história dele é basicamente assim: a moça loirinha e o carinha vestido de preto (ai na fotenha de cima) são namorados, e eles moram junto com o moçoilo de verde. Eles são jovens revolucionários, e que nas horas vagas, saem para realizar "o bem maior" na sociedade. Nada violento nem nada doentio. Nem comecem a ligar os pontos e tentar imaginar um "Laranja Mecânica" look-alike, porque esse filme é, na realidade, o oposto. Tudo que os três mosqueteiros ai fazem é "assustar" os ricos, entrando nas casas deles e mudando os móveis de lugar. Nada mais do que isso. Só que, como sempre na vida, as coisas acabam mudando.

Um dia, quando eles estão desarrumando uma casa, o dono dela aparece e pega eles no ato. Desesperados e agindo basicamente por impulso, eles resolvem sequestrar o sujeito. Dai se passam alguns dias, algumas coisas mudam no grupo, eles brigam, se amam, aquelas coisas básicas de sempre. E no final, depois de manter o tiozinho junto com eles por um tempinho, eles resolvem devolver o cara para a família dele. Sem ter feito nenhuma maldade, e somente tendo em mãos as ideias e o movimento de igualdade. E além de o filme ser muito legal, o final é muito inteligente e muito interessante! Daqueles que tu fica pensando "uau", sabe? Para quem não passou no meu teste lá em cima e nem chegou a ver o filme, eu recomendo!!


Mas, indo ao ponto que interessa... O que mais me chamou a atenção nesse filme não foi a história em si, mas os personagens. Gosto do fato de eles serem persistentes no que acreditam, e gostei muito da ideia que eles têm de realizar um ato de bem maior que, se concretizado, irá mudar a história da humanidade. Eu gosto de filmes/livros no qual os personagens traçam um ponto e fazem de tudo para alcançar os seus objetivos.

Hoje em dia, as pessoas andam muito vazias, sem sonhos, e acreditando pouco no seu potencial. Ninguém pensa mais em revolucionar a história, mudar o rumo da humanidade, ou simplesmente em fazer algo que poderá ajudar outras pessoas. A maioria vive olhando para o seu próprio umbigo e abstraindo o que existe a sua volta. Por isso, é raro hoje em dia ter uma novidade estrondosa, como a descoberta da luz ou a invenção o telefone. Ok, sei que o ser humano já avançou muito, e que talvez as coisas andem meio paradas porque já atingimos um ápice evolutivo. Mas, na minha opinião, isso também ocorre por uma culpa nossa, por uma desmotivação global.

Acho que todo esse vazio existencial vem crescendo mais e mais, a medida que o ser humano inventa mais tecnologia e se distancia cada vez mais do contato e do convívio real. Sei que parece clichê, mas se olharmos alguns anos atrás, a humanidade não estava tão individualista como hoje em dia. E olha que eu não estou falando de 1800, e sim de uns 70 anos atrás. Pelo menos, é o relato que eu tenho dos meus avós, dos meus pais, e das gerações mais antigas. E esse filme não trata diretamente desse tópico, mas fica nas entrelinhas todos esses problemas advindos do século XX.

Sinceramente, eu não gostaria de estar perdendo a fé na humanidade. Mas cada vez que eu me envolvo mais com as pessoas, cada vez que eu estudo mais sobre doenças mentais e o psicológico da atualidade, eu me deparo com um caos. Essa é a palavra que descreve bem o que eu sinto pela humanidade de hoje. Eu sinto um desespero geral, um vazio imenso, e uma perda de rumo com impactos colossais. Eu estou tentando queridos leitores, tentando com toda minha vontade, fazer a diferença nesse mundo. Mas, cada vez que eu tento, eu levo mais porrada. Ora da sociedade, ora das pessoas que eu convivo. O que eu tento fazer é me manter na linha. Só que é difícil, ô se é.

Mas, como diriam os educadores lá de cima, "jedes herz ist eine revolutionäre zelle" (traduzindo, "todo coração é uma célula revolucionária"). Então, vamos à batalha!

domingo, 9 de maio de 2010

POR UM MUNDO MAIS REALISTA

Olá leitores.

Como prometido, voltei aqui para falar com vocês sobre filmes. Sim, eu sei que demorei para postar. Mas o fato é que eu não tinha visto nada de interessante nesses últimos dias, e como sou dedicada no que faço, resolvi só voltar aqui quando tivesse algo realmente bom para nós discutirmos. Pois então, cá estou eu com um assunto novo em folha!

Quinta fui no cinema com meu amigo Eduardo para ver o novo filme do Woody Allen, com o título "Tudo Pode Dar Certo". Sei que a maioria de vocês deve estar pensando: "Ah, um filme do Woody Allen, deve ter sido legal!". Para os que pensaram assim, tenho uma notícia chocante para dar: o filme não era bom. Não quero que vocês pensem, queridos leitores, que eu sou exigente com os filmes que vejo e que sou daquelas pessoas chatinhas pra gosto. Pelo contrário, quem já conversou de filmes comigo sabe que eu sou eclética e gosto de filmes de todos os tipos, de todas as temáticas, oriundo de todos os quatro cantos do mundo. Vocês devem estar pensando o porque de eu não ter gostado do filme do Woody. Pois bem, vou tentar explicar, em algumas palavras, o porque de eu ter desgostado do dito cujo.


Bem, não posso deixar de começar a crítica falando que, para quem viu os últimos filmes dele (tais como "Vicky Cristina Barcelona", "Match Point" e "Melinda e Melinda") esse filme ficou no chinelo. Porque? Bem, por vários motivos. Mas um deles é o simples fato de o Woody ter acabado o filme com um desfecho positivo, de um modo que todos os personagens conseguiram o que queriam e ficaram felizes com suas vidas. Quem conhece o Woody sabe que a marca principal dele é o negativismo e a neurose desenfreada. E sendo sincera, eu me acostumei com esse tipo de filme dele. Ver um filme diferente me fez ficar meio desnorteada. Não pensem, leitores do meu coração, que eu gosto de ver filmes negativos e com finais tristes. Na verdade, o que eu gosto de ver é um filme realista, que explora o verdadeiro lado do ser humano, e que não é feito para ser um blockbuster hollywoodiano com o final "e viveram felizes para sempre". Até porque nós, que somos seres pensantes e inteligentes, temos plena consciência de que na vida as situações não funcionam assim 100% positivas.

O segundo motivo para ter achado o filme ruizinho foi o modo como ele se desenvolveu. Eu sei que os filmes do Woody são alternativos e mega cult, mas isso não significa que eles precisam ser parados e super monótonos. Esse filme era assim. Nada de inovador acontecia, e o filme praticamente girou sempre no mesmo tipo de cena e no mesmo assunto discutido pelos personagens. Ok, não vou mentir que tiveram partes que eu gostei, mas o filme em si era a mesma coisa sempre. As mesmas cenas, os mesmos personagens chatos, e a mesma temática. Para quem viu "Vicky Cristina Barcelona", que foi um filme super legal, que tratou de vários assuntos diferentes e que até foi um filme sensual, esse filme parecia aqueles filmes alternativos de baixa renda, que os atores não sabem atuar muito bem, e que o diretor não tem experiência no ramo.

E falando em personagens, os desse filme deixaram a desejar. Não os atores em si, mas sim os personagens mesmo. Eles eram vazios, não tinham nada de interessante (nada que nos fizesse gostar deles) e pareciam ter saído de um filme trash de comédia. Pra falar a verdade, o personagem mais interessante do filme era o principal. Só que ele era super problemático (quando sai do cinema, dei um laudo pro meu amigo das doenças mentais que vi nele; pra quem entende de psicologia, fiz uma análise multiaxial). Ele era negativo, neurótico, tinha ataques de pânico, TOC, era estúpido e grosso, tinha delírios de grandeza, e para fechar com chave de ouro, era isolado socialmente. Olhem as "qualidades" dele e notem, leitores amados, que esse era o ÚNICO personagem legal do filme. Dai fica difícil né?
Sou bom mesmo, e dai?

Tá, eu não quero parecer chata e negativista (Woody Allen da vida). Mas é que eu fui super feliz ver o filme, achando que seria tão bom e tão legal quanto "Vicky Cristina Barcelona" e me decepcionei muito. Não sei se eu fiquei assim porque inconscientemente comparei os filmes, só sei que eu fiquei chateada de o filme não ter sido tudo que eu imaginei. Não vou dizer que sai do filme como eu entrei e que ele não mudou em nada a minha vida, mas é que tudo ficou mega vago sabe? Algumas sacadas foram boas, como por exemplo, o ator principal (aquela coisa linda ai de cima) falava com a câmera alegando que tinham várias pessoas assistindo a tudo que ele e as outras pessoas faziam. E ele também era um gênio no filme, sabia de tudo, inclusive de coisas de psicologia. Isso foi legal, sabe? Mas o resto é bem aquele tipo de coisa que depois que vemos ficamos pensando: o que isso acrescentou na minha vida?

Sei que devo estar parecendo uma chata reclamona. E me desculpem, caros leitores, se vocês estão me vendo assim. Mas é que eu precisava desabafar a minha frustração com o filme. Eu gosto muito do Woody Allen, sempre considerei os filmes dele obras da sétima arte, filmes bons e que todos deveriam ver (pois nos fazem pensar sobre a vida). E esse ficou muito vago, muito atrás do dom que eu sei (e vocês também sabem) que o titio Woody possui.

Enfim, se quiserem ver o filme e tirarem suas próprias conclusões, me contem depois o que acharam. E se alguém já viu e quiser comentar, vá em frente e o faça. Espero o feedback de vocês!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

O GATO VIVE OU MORRE?

Olá meus queridos e complexos leitores.

Estou aqui, novamente, para trocar algumas ideias com vocês. E hoje, para a alegria de alguns e a tristeza de outros, não irei falar de cinema. O motivo? Não é o fato de eu estar cheia do saco de filmes, isso jamais. Ou menos ainda pelo fato de eu não ter visto nenhum filme bom nos últimos dias. Estou abdicando, nesse post, do tema "filme" por dois simples motivos: mudar um pouco o assunto e fazer vocês pensarem ainda mais a respeito do que nos cerca.

Preparem-se leitores, pois hoje o assunto vai ficar mais sério do que já era. E além de sério, vai ficar complicado. E quem sabe, vai até queimar alguns dos neurônios que habitam as cabeçinhas preocupadas de vocês. No post dessa quarta-feira, meus queridos, irei falar de física quântica. Imagino que vocês devem estar pensando: Pronto, agora ela pirou de vez. Mas, na minha defesa, comunico que eu não pirei. Eu simplesmente venho me interessando muito no assunto. E ao ver a série Flashforward, que fala MUITO em física quântica, toda a teoria ficou ainda mais instigante para mim.

Pois bem, vamos a parte boa do negócio (ui!).

Vocês, queridos leitores, que são pessoas de mente aberta e que estão sempre em busca de um assunto novo para jogar na rodinha da fofoca, já devem ter ouvido falar na física quântica. Até porque, hoje em dia, é um assunto que engloba várias descobertas sobre a nossa existência e sobre o nosso (possível) futuro. Ou seja, é um assunto super atual e que todo mundo vem falando.

Existem vários sites que tentam explicar as teorias mais mirabolantes da física quântica. Mas eu, na minha humilde ignorância matemática/física/química, mais me complico do que outra coisa. Por esse motivo, tentarei ser breve e explicar as teorias de maneira simples. E vejam, caros amigos, que falarei aqui apenas de algumas teorias. Nada muito impossível de entender, mas que fará com que vocês repensem suas vidas e fiquem um tantinho atordoados. Por isso já falo de antemão, pessoas sensíveis e que são suscetíveis a influências, NÃO LEIAM ESSE POST.



Vamos aos fatos.

Em primeiro lugar, devo dizer que a física quântica ainda não é 100% aceita como uma ciência exata. Isso devido ao comportamento errático dos quanta (as partículas quânticas), o que torna os experimentos empíricos impossíveis de acontecerem. Ou seja, todo experimento quântico é chamado de "experimento mental" (pois fica só na mente, não sai da teoria). Mas, mesmo não sendo aceita por todos os cientistas, as ideias e teorias dessa área da física não deixam de ser enigmáticas e super interessantes.

Existem três teorias da física quântica que me agradam. A primeira delas é talvez a mais fácil de entender. O que vocês fariam se algum dia uma pessoa chegasse para vocês e dissesse que não importa o que vocês pensem, façam ou deixem de fazer, todas as possíveis ações que vocês tomariam irão acontecer. Não importa se vocês decidam comprar um carro ao invés de uma moto, ambos resultados para uma certa decisão sempre serão vivenciados. Isso, pois, antes de tomarmos uma decisão, o universo se divide em dois e as duas escolhas acontecem ao mesmo tempo. Ou seja, se eu escolhesse comprar a moto, a Louise da outra divisão teria escolhido comprar o carro. E essas escolhas levariam cada Louise a outras escolhas, que mais uma vez seriam tomadas e novamente o universo se dividiria em dois. Louco não? Esse é o princípio da Teoria dos Muitos Mundos. Essa teoria basicamente diz que nossa realidade é apenas uma divisão de uma pré-ação. Ou seja, tudo que vivenciamos está, em uma outra realidade, totalmente diferente (pois essa outra realidade é uma divisão com acontecimentos opostos aos nossos).


Outra teoria que segue a mesma linha de raciocínio seria a do "Suicídio Quântico" (ou também chamada de "Imortalidade Quântica"). O nome pode soar meio bizarro, mas leiam tudo com atenção que vocês verão o porquê dessa nomenclatura. Imaginem que um homem, cansado da sua vida, decide cometer suicídio. Para tal ação, esse homem compra uma arma e coloca várias balas no tambor. Ele então aponta a arma para si, e aperta o gatilho. Nesse momento, a arma falha. O homem, surpreso, aperta o gatilho várias vezes. Mas mesmo assim, a arma não dispara. Frustrado, ele decide largar a arma e seguir com o a sua vida. Porém, mal sabe ele que em uma realidade paralela, essa mesma arma funcionou e o matou. Como? Simplesmente pelo fato de que após uma determinada ação, os quanta se movimentam em dois sentidos (horário e anti-horário), gerando uma divisão do universo e de seus acontecimentos. Resumindo, ela fala que depois de fazermos algo, dependendo de como estão se movimentando as partículas, seguimos para um caminho ou para outro (sendo que um "eu" paralelo seguiria o caminho oposto). Fizeram a conexão com o nome né? Suicídio, pois a teoria exemplifica com uma tentativa de suicídio; Imortalidade, pois mesmo tentando se matar, se o homem deu a sorte (ou o azar) de os quanta girarem para uma certa direção, ele pode nunca vir a falecer.



A terceira teoria vai meio que no sentido oposto a essas duas. Ela se chama "O Gato de Schrödinger" (até que o nome bizarro combina com a teoria estranha). Essa teoria, diferente das demais, não fala em divisões de realidade. Muito pelo contrário, ela diz que ambos acontecimentos são vivenciados ao mesmo tempo, mas no fim, só um resultado é obtido. Vamos primeiro saber sobre como o estudo se deu, para depois entendemos a teoria. Erwin Schrödinger, um físico vienense, montou uma caixa com alguns objetos estrategicamente posicionados: uma pequena dose de material radioativo e um contador Geiger (que mede a radiação). O contador, por sua vez, foi montado de maneira que quando percebesse o decaimento do material radioativo, acionaria um martelo posicionado para quebrar um frasco contendo uma dose letal de ácido cianídrico. Depois disso, o físico colocou seu gato dentro da caixa e a fechou. Como o gato estava fora do alcance visual, o físico explicou que ambas as possibilidades (de o gato ter morrido pelo ácido e de nada ter sido acionado) aconteciam ao mesmo tempo. Isso, pois, o gato passaria a existir em um estado desconhecido, já que a comprovação de seu destino ainda não existia. O princípio básico da teoria seria que, ao não vermos o resultado de um experimento, todas as possíveis "rotas" estavam sendo traçadas ao mesmo tempo. Para o gato, o resultado era apenas um. Para o observador, que estava privado de acompanhar o teste, todas as possibilidades aconteciam igualmente. No final, todas as experiências eram vividas em realidades alternadas, mas que somente levavam a um possível resultado.


Loucura ou não, ficção ou realidade, não podemos deixar de pensar "e se isso for verdade?". Sinceramente, eu gosto de pensar que em uma realidade paralela, existe uma Louise super feliz e de bem com a vida, que está sempre se dando bem nas suas escolhas, e que tem em todas as suas rotas somente vivências benéficas. Mas também não posso deixar de pensar que se o mundo realmente funciona assim, então eu não tenho muito domínio sobre os fatos que acontecem na minha vida (pois, afinal, não sei em qual "divisão" de escolhas eu vou parar). Mas que é bom pensar que pelo menos em alguma vida eu sou 100% saudável e feliz, posso dizer com toda certeza que é extremamente bom.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

O MUNDO É BÃO, SEBASTIÃO

Olá intelecto leitor.

Cá estou eu para mais um post. Decidi deixar de lado a escassez de comentários no meu blog. Não me importo mais se alguém lê o que eu escrevo ou se as pessoas lêem mas não acham tempo de comentar. Eu fico feliz apenas de colocar minhas ideias e pensamentos para fora da minha cabeçinha pensante.

Pois bem, o filme da vez é "A Órfã". Finalmente, consegui alugar o bendito DVD. Esse foi um dos títulos que eu tentei alugar da outra vez, mas que não tinha na locadora. O motivo para tal milagre? Troquei de locadora, pois a antiga nunca tinha os filmes que eu queria.

Na real, algo MUITO errado.

Voltando ao filme... Começaremos primeiro com um breve resumo. O filme trata da história de uma família, que depois de perder um bebê, resolve adotar uma menininha mais velha (com o intuito de completar o círculo familiar). O que antes parecia ser uma vida com um futuro promissor, acaba por se tornar o verdadeiro inferno na Terra. Porque? Simplesmente pelo fato de a menininha adotada ser uma manipuladora psicótica e assassina. Não vou contar o final, porque não quero estragar o filme pra quem não viu. Só vou dizer que ele é ao mesmo tempo inteligente e bizarro.

Vocês devem estar se perguntando que diabos eu quero falando de um filme de terror. Pois bem queridos leitores, hoje irei falar sobre adoção. Não quero falar do assunto para dar lição de moral em ninguém. Na verdade, esse post vai ser mais um post de fofoca do que outra coisa. Afinal, é sexta-feira leitores amados, vamos relaxar que o finde tá chegandooo!

Eu sei que a maioria das pessoas acha que a adoção é uma atitude bonita, linda e maravilhosa. Não se enganem leitores, eu também acho isso. Mas também acredito que a adoção muitas vezes é feita para mascarar um problema latente na família. No caso do filme, a família quis resolver os seus problemas e tapar os "buracos do passado" adotando uma menininha. Ok, quem lê meu blog provavelmente vai dizer: "Ah, mas a mãe do filme teve que tirar o útero, e como eles queriam mais um filho, adotaram". Sim, ela teve. Mas se vocês colocarem suas patinhas na consciência, verão que no fundo, ela quis suprir a falta da filha que morreu adotando outra menina.

Vocês leitores, que são pessoas bem-resolvidas, inteligentes e que colocam a caixola pra funcionar, acompanhem meu raciocínio. A adoção, quando feita corretamente e pelo motivo certo (que seria esse proporcionar uma vida melhor a uma pessoinha que está precisando) é correto e super válido. Mas quando a adoção ocorre por um desejo de "suprir necessidades pessoais", sempre acaba dando em m***a. Afinal, se a pessoa adota outra por motivos de satisfação própria ou por motivos esdrúxulos, no final de tudo, a adoção é um ato de puro egoísmo.

Vai um bebê ai, tio?

Outro problema na adoção é a modinha que acabou virando. Nesse mundo louco e divertido, é cada vez mais comum as pessoas se afastarem da sanidade e irem em direção a geral da "vida loka". Hoje em dia, se uma pessoa quer estar por dentro, ela não precisa mais comprar um carro, um notebook ou um iPod. Basta ela visitar um país de terceiro mundo e sair de lá com uma criança em seus braços. Depois que as belezuras ai de cima resolveram adotar uma criança de cada país pobre do globo, todo mundo quis fazer que nem o casal Brangelina. A gollum da Madonna fez. A moça lá do Grey's Anatomy também fez. Até o Wolverine da vida adotou uma criança.

Vamos ver se esses ai se empenham e conseguem chegar na marca da Mia Farrow, que tem nada menos que 10 pimpolhos adotivos. Só esperamos que não hajam mais papais que nem o Woody Allen, que ao invés de ajudar a criar os filhos, fica pensando em ter mais filhos com suas filhas (eita confusão bunita!).

Nas palavras de Nando Reis (que dá o título ao post), "O mundo é bão, Sebastião".

domingo, 11 de abril de 2010

SONHO OU PESADELO?

Oi pessoas que se interessam pelo meu blog (se é que tem alguém que lê o que eu escrevo; até agora, não tive nenhum comentário). Como prometido, estou aqui para falar do segundo filme que eu aluguei. Ok, eu não prometi que voltaria, mas meio que ficou nas entrelinhas, já que eu falei dele no post anterior.

Enfim. Vamos aos trabalhos.

Primeiramente, algumas explicações. O segundo DVD que aluguei  foi “Guerra Ao Terror”.  Desde o Oscar, fiquei muito curiosa para ver o filme. Na verdade, sempre que um filme ganha prêmio por ser o melhor do ano (seja o Oscar, Globo De Ouro ou prêmios Europeus), eu fico louca para vê-los.  Não pela premiação, e sim para analisar o conteúdo e ver se ele realmente merecia o prêmio que levou. E, como no caso desse, as vezes os filmes não merecem ganhar tudo que ganham.

Antes de me atirarem mil pedras, escutem o que eu tenho para falar. Eu fiquei feliz por este filme ter ganhado vários prêmios, pois sei que é uma história diferenciada, e que mostra um lado dos soldados que não estamos acostumados a ver. Também fiquei super feliz por uma mulher ter levado o pêmio de melhor diretora (acho que as mulheres não são valorizadas nesse ramo). Mas, sinceramente, fiquei  surpresa quando o "GAT" levou a estatueta de melhor filme do ano.

Não achei o filme ruim, pelo contrário, achei ele muito bem feito. Exatamente como eu tinha previsto, as filmagens foram muito bem elaboradas, e os efeitos especiais muito bem feitos. Mas, na minha opinião,  o melhor filme deve englobar vários aspectos que façam inúmeras pessoas (com gostos diferentes) sentirem-se atraídas pela história e pelas filmagens. O "GAT" fica na categoria guerra/violência, e não é todo tipo de gente que curte essa temática. O Avatar, por outro lado, é um filme blockbuster, que já é feito com o intuito de atrair todo tipo de pessoa e de gosto (gente, foi o James Cameron que fez, precisa falar mais que isso?).


 Sonho vs. Pesadelo


Tá, mas esse assunto não é o que eu quero falar. O que realmente me interessa aqui é comentar a minha análise do filme.

Como todos já sabem, o "GAT" é um filme sobre desarmadores de bomba que trabalham na guerra do Iraque. Até aqui, nada de novo. Porém, uma coisa me incomodou muito durante todo o filme. Tirando o terror psicológico constante, que até nos faz passar mal  (as filmagens acontecem meio que em tempo real, para sentirmos exatamente a agonia que os soldados experimentam nessas situações), um fator me deixou muito intrigada. Pensem comigo, caros e inteligentíssimos leitores.

Que tipo de perspectiva de vida uma pessoa que trabalha desarmando bombas deve ter? O que leva um ser humano a colocar a sua vida em risco, de maneira que todo o dia ao acordar, ele pense que "esse pode ser seu último dia na Terra"? Quais fatos e traumas devem ser experimentados a ponto de  formar tamanha personalidade autodestrutiva? Será que podemos considerar um trabalho desse tipo honroso, ou devemos pensar que na verdade, é uma forma de se auto-flagelar?

Leitores, me ajudem a entender esses fatos.

Não estou tachando ninguém de louco. Não estou dizendo que todos que trabalham arriscando suas vidas sofreram traumas e passaram por infâncias horríveis. E de certa maneira, é bom pensar que existem pessoas que preferem arriscar suas vidas em prol de um bem maior, do que nunca arriscar nada e no fundo não fazer a mínima diferença para mudar o mundo. Mas eu fico pensando que, ao mesmo tempo em que isso é lindo e maravilhoso, também é muito triste e caótico. É de certa forma uma maneira indireta de suicídio.

Não sei se eu sou uma hipponga do novo século, que vive pelo princípio de "Make Love, Not War" ("Faça Amor, Não Faça Guerra"), mas eu não consigo ver esse tipo de trabalho como algo que realmente valha a pena. Obviamente, para a pessoa que o faz, ele é sim extremamente gratificante (e de certa forma, ele ajuda muitas outras pessoas). Mas eu não conseguiria viver sob tamanha pressão, pensando todo dia se eu poderei ver o nascer do sol de amanhã.

Para mim, as pessoas que pensam assim, ou são extremamente altruístas, ou são extremamente autodestrutivas. O que vocês pensam sobre isso?

quinta-feira, 8 de abril de 2010

VERONIKA (RE)DECIDE VIVER

Ontem aluguei dois filmes que estava há horas louca para ver. Na verdade, queria ter pegado no mínimo uns cinco, mas todos os outros três já haviam sido locados. Como a lista de filmes para alugar estava escassa, peguei esses dois e decidi alugar o resto outra semana.

Resolvi assistir esses filmes por motivos diferentes. Um, queria ver pelo conteúdo da história. O outro, porque ganhou vários prêmios no Oscar (além de eu estar curiosa com a qualidade da filmagem). Seguindo meus instintos (ou como diria Haley Joel Osment, meu sexto sentido), aluguei os benditos DVDs.

Por enquanto, vi apenas um deles.


O primeiro, "Veronika Decide Morrer", foi o que eu decidi (olha o trocadilho!) ver antes. Comecei por ele porque gostei da sinopse. Desde que estava em cartaz, o filme havia chamado a minha atenção. Talvez por ser um filme de drama, daqueles que dá vontade de ver porque nos conectamos com a personagem e suas teorias de vida. Talvez por ser uma adaptação do Paulo Coelho, escritor que eu considero ter uma visão realista e profunda da vida humana. Seja como for, foi ele que me chamou mais a atenção.


O filme, em si, é meio parado. O início dele foi interessante, mostrou algumas cenas detalhadas da Veronika (Sarah Michelle Gellar) se matando, além de nos dar uma idéia de como ela se vê no mundo e vê o mundo. Mas o desenrolar do filme, que é longo e meio devagar, acaba deixando a desejar. O mais engraçado é que, uns 10 minutos antes de terminar, o filme volta a ter ação. Nada muito impressionante.


A história, por outro lado, é bem bonita. E pra quem é sensível e consegue tirar lições de vida a partir de eventos fictícios, ele vale a pena ser visto. Eu sou uma dessas pessoas. Porém, caro leitor, eis o meu pequeno grande problema. Problema esse que me acompanha já faz muito tempo. Ouça-o (ou leia-o) e me ajude a entender minha cabeçinha complicada.


Mesmo tirando lições maravilhosas de filmes e livros; mesmo vendo, e de certa maneira vivenciando, vidas miseráveis e sofridas (que me fazem agradecer pela minha própria); mesmo com todos os insights que tenho; mesmo depois de todas essas aparentes mudanças, eu ainda não consigo mudar meu jeito de viver a vida. Eu tento leitor, eu tento do fundo da minha alma inquieta, mas não consigo. É como se, no final, eu soubesse que aquilo tudo não faz parte de mim.


Será essa “não mudança” uma relutância inconsciente? Será que no fundo do meu coraçãozinho, lá bem profundamente enterrado nas minhas entranhas, estou feliz do jeito que eu vivo e não penso em mudar para, digamos, melhor? Será que eu estou tão agarrada a esses padrões de vida, tão imersa em meus próprios desejos e devaneios, que fico cega aos “chamados” de mudança? Serei eu, querido leitor, uma pessoa como todas as outras? Que até pensa em mudar, mas não se dá ao luxo de tentar?


Se eu sou tudo isso, ainda não tive o prazer (ou quem sabe, desprazer) de descobrir. Como algum sábio disse algum dia: “sei que nada sei”.

"For you, I won't"

#1 - LEITURA OBRIGATÓRIA

[Este primeiro post servirá como sinopse do que será escrito nesse blog]

O blog irá basear-se quase 99% em filmes. Ou seja, se você não gostar de cinema, talvez a única coisa que te motive a ler meu blog será o conteúdo catártico da minha escrita.

Aqui irei discutir e analisar todo e qualquer tipo de filme, seja antigo seja atual. Além disso, irei fazer um link do filme com a vida real, comparando as histórias e estórias. Algumas vezes, os posts serão mais pessoais; outras vezes, mais gerais e amplos.

Seja qual for o motivo da sua visita, obrigada por ler minhas palavras. Espero que goste do conteúdo, e torne-se um leitor assíduo.

P.S Aos gaúchos de plantão, informo que não escreverei o pronome "tu" pois o "você" é mais facilmente compreendido e universalmente usado. Não desgosto do pronome da nossa terra natal, mas creio que desse modo, meus posts serão entendidos mais facilmente. Obrigada pela compreensão.